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Projeto da USP leva diálogos de Platão ao ensino médio por meio do teatro

Iniciativa propõe a leitura dramática de “Hípias Maior”, obra em que Sócrates e Hípias investigam o significado da beleza

Por Simone Lemos

O filósofo grego Platão: todo juiz precisa ser um filósofo – Foto: Pixabay
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O projeto de extensão universitária Diálogos de Platão no Palco, desenvolvido por alunos da Universidade de São Paulo, aproxima estudantes do ensino médio da filosofia por meio da leitura dramática. As atividades integram a formação universitária e promovem a interação com a comunidade externa, em consonância com as diretrizes do Ministério da Educação (MEC).

Coordenada por Marcos Martinho, professor de graduação e pós-graduação do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, a iniciativa envolve estudantes da Escola Técnica Estadual (ETEC) Cepam, localizada no campus Butantã da Universidade.

Neste semestre, o diálogo escolhido foi Hípias Maior, de Platão, em que Sócrates e Hípias discutem uma questão que atravessa séculos de reflexão filosófica: o que é a beleza?

A proposta é que alunos do 1º ano do ensino médio, dos períodos da manhã, da tarde e da noite, interpretem o texto, articulando conteúdos filosóficos e elementos das artes cênicas.

Filosofia em forma de diálogo

A escolha de Platão está relacionada à maneira como o filósofo apresentava suas ideias, explica Martinho. “Diferentemente de pensadores que escreviam tratados ou textos dissertativos, ele desenvolvia seus argumentos por meio de diálogos entre personagens, com perguntas, respostas e questionamentos sucessivos.”

Platão viveu entre a segunda metade do século 5 e a primeira metade do século 4 antes de Cristo, em Atenas, período marcado pelo desenvolvimento da tragédia e da comédia grega. Para o professor, essa tradição teatral ajuda a compreender a forma dialogada de suas obras e favorece a leitura dramática em sala de aula.

Em Hípias Maior, Sócrates e Hípias examinam sete tentativas de definir a beleza, mas nenhuma se mostra conclusiva. Ao questionar cada explicação e identificar suas limitações, as personagens apresentam a filosofia como um exercício de investigação sem oferecer uma resposta definitiva.

Segundo Martinho, essa característica pode estimular os jovens a refletir e desenvolver o pensamento crítico. A dramatização também torna o texto mais atraente, pois permite que os estudantes interpretem as falas e acompanhem o desenvolvimento dos argumentos.

Leitura dramática e debate

O trabalho é organizado em duas etapas, distribuídas ao longo de dois meses. No primeiro, o coordenador se reúne semanalmente com graduandos de diferentes unidades da USP para estudar a obra, preparar os materiais e planejar as atividades.

No mês seguinte, a equipe visita as três turmas da ETEC Cepam. No primeiro encontro, os universitários demonstram como realizar a leitura dramática. Nos encontros seguintes, os estudantes ensaiam trechos do diálogo e discutem as questões filosóficas apresentadas pelas personagens.

Na atividade final, cada turma realiza a leitura integral da obra, com duração aproximada de 35 minutos, seguida de um debate de 15 minutos sobre as questões levantadas pelo texto.

A iniciativa é desenvolvida em parceria com a coordenação e os professores de filosofia da escola, promovendo a troca de conhecimentos entre universitários e estudantes do ensino médio.

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