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Livro reúne pesquisas que abordam o papel das universidades no desenvolvimento sustentável

Publicação disponível para download gratuito traz estudos interdisciplinares ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e traça diretrizes práticas para a formulação de políticas governamentais no Brasil

Por Izabel Leão

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Foto: Divulgação/ONU

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Disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP, a coletânea Universidade, Agenda 2030 e Políticas Públicas: caminhos para a sustentabilidade reúne pesquisas que buscam aproximar a produção científica da formulação de soluções para desafios socioeconômicos e ambientais do País. A publicação foi desenvolvida a partir de pesquisas articuladas pelo Programa Eixos Temáticos (ProETUSP), do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, e propõe uma ponte entre o conhecimento acadêmico e a elaboração de políticas públicas voltadas à sustentabilidade. Para ver a publicação clique aqui.

O trabalho é coordenado pelos pesquisadores Marcos Silveira Buckeridge e Arlindo Philippi Junior e organizado por Sylvestre Aureliano Carvalho, Gabriel de Moura Silva e Carolina Botelho. A coletânea reúne diagnósticos e propostas elaborados por centenas de pesquisadores vinculados a unidades acadêmicas, em sua maioria da USP.

A publicação dá continuidade ao trabalho iniciado com o livro Agendas para Políticas Públicas Brasileiras: uma contribuição da USP para a sociedade, editado pela Edusp, ampliando o diálogo entre os ODS e os desafios concretos enfrentados pelo Brasil. Na nova obra, os temas foram organizados em torno de 11 eixos fundamentais: Agricultura e Pecuária; Cidades; Combate às Desigualdades; Cultura e Artes; Democracia; Economia; Educação; Energia; Indústria; Meio Ambiente; e Saúde. A esses eixos somaram-se três frentes transversais — denominadas Temas — voltadas à Concepção Interdisciplinar em Pesquisa, ao Uso de Banco de Dados e Meta-Análises e ao Planejamento Estratégico de Universidades.

Composta de 20 capítulos divididos em três blocos estruturais, a obra investiga como os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) podem orientar decisões governamentais em diferentes esferas da administração pública. De acordo com Buckeridge, o trabalho busca romper com o isolamento acadêmico tradicional. “A ciência pública brasileira produz dados fundamentais que frequentemente não chegam à mesa dos gestores; esta obra existe para transformar indicadores complexos em ferramentas imediatas de intervenção social e ecológica”, destaca o professor.

Segundo Philippi, no Prefácio da obra, os capítulos procuram identificar caminhos possíveis para a formulação de políticas públicas comprometidas com a sustentabilidade, a inclusão social, o desenvolvimento econômico, a inovação e o fortalecimento das instituições democráticas. Como explica o coordenador, há reflexões que abrangem desde a erradicação da pobreza e a segurança alimentar até questões relacionadas à educação, à saúde, à energia, ao meio ambiente, à cultura, à democracia e ao planejamento estratégico de universidades.

Interdisciplinaridade

Foto: Portal de Livros Abertos

No primeiro bloco da publicação, o capítulo que abre as discussões aprofunda as bases epistemológicas da iniciativa ao examinar a teoria da complexidade, os sistemas biológicos e a inteligência artificial aplicados à formulação de políticas governamentais. A análise ressalta que os dilemas sociais e climáticos contemporâneos não respondem a soluções lineares ou setoriais isoladas, defendendo o uso de modelagens computacionais avançadas e redes interdisciplinares para prever os desdobramentos de decisões tomadas pelo Estado em ecossistemas urbanos e rurais.

A Parte II reúne 17 capítulos alinhados aos 17 ODS da Agenda 2030 e sintetiza estudos analíticos interdisciplinares, apresentando contribuições por meio de indicadores, análises e propostas, bem como instrumentos voltados à formulação de agendas comprometidas com o aprofundamento democrático. Nesse bloco, destaca-se o estudo centrado no combate às mudanças climáticas e na transição energética, que examina as vulnerabilidades do território brasileiro diante de eventos extremos. A cientista política Carolina Botelho, também coautora e organizadora, ressalta que essa transição não pode ser concebida apenas sob a ótica técnica. “Descarbonizar a matriz ou adotar tecnologia limpa sem combater a exclusão socioespacial gera novas formas de desigualdade; a justiça climática deve ser o eixo orientador de qualquer planejamento público”, enfatiza. O texto analisa instrumentos regulatórios e investimentos em infraestrutura verde, demonstrando que a transição energética deve ser planejada para gerar emprego qualificado e resguardar as populações mais vulneráveis.

Nas reflexões do último bloco, o livro examina a governança universitária e avalia indicadores institucionais, como o ranking internacional THE Impact, reforçando o compromisso das universidades com as metas globais da ONU. Segundo os autores, a legitimidade das instituições acadêmicas depende diretamente de sua capacidade de dialogar com a sociedade civil e de fornecer soluções concretas para construir agendas democráticas, perenes e sustentáveis.

O livro Universidade, Agenda 2030 e Políticas Públicas: caminhos para a sustentabilidade pode ser consultado na íntegra neste link.

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