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Califórnia abriga o maior berçário de polvos de águas profundas

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Foto: Jeffry Surianto | Pexels

Em 2018, pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey identificaram uma concentração extraordinária de polvos-pérola (Muusoctopus robustus) na costa central da Califórnia. O local, que reúne mais de 20 mil indivíduos, é hoje considerado o maior agrupamento conhecido de polvos de águas profundas do mundo. A descoberta ocorreu em uma região do Santuário Marinho Nacional da Baía de Monterey, que abrange mais de 15.500 quilômetros quadrados de oceano.

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A concentração está associada à presença de fontes hidrotermais, que liberam calor e aquecem a água ao redor. Essas condições favorecem a reprodução dos polvos, uma vez que o aumento da temperatura acelera o metabolismo e o desenvolvimento dos embriões, reduzindo o período de incubação para cerca de 1,8 ano. Em outros ambientes de águas profundas, as fêmeas podem passar anos protegendo os ovos até a eclosão.

De coloração roxa pálida e tamanho semelhante ao de uma toranja, os polvos-pérola ocupam tocas construídas com materiais disponíveis no leito marinho, como pedras, conchas e objetos de origem humana. Para estimar a população, os cientistas utilizaram tecnologias de mapeamento subaquático e contabilizaram cerca de 6 mil animais em uma área de 2,5 hectares, extrapolando os dados para chegar ao total estimado. Depois que os ovos eclodem, as fêmeas morrem, e seus corpos servem de alimento para outros animais, contribuindo para a cadeia alimentar local.

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Foto: Marcus Lange | Pexels

O jardim de polvos está protegido por regras que restringem atividades como a exploração de petróleo e gás e a mineração do fundo do mar. Essas medidas ajudam a preservar os campos hidrotermais, ecossistemas frágeis e ainda pouco compreendidos, que poderiam ter sido danificados ou destruídos antes da descoberta caso estivessem sujeitos a outras formas de exploração.

O caso evidencia quanto ainda falta conhecer sobre as profundezas oceânicas. Mesmo em uma das regiões de mar profundo mais monitoradas do mundo, essa concentração permaneceu desconhecida até 2018. Como existem fontes hidrotermais em outras partes do oceano, os pesquisadores buscam entender quantos outros agrupamentos de animais podem estar em campos termais que ainda não foram mapeados.

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