Os resultados das eleições israelenses parecem ter dado ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu um desempenho melhor do que o esperado. Mas também deixam claramente seu bloco em minoria, sem como evitar novas eleições sem um acordo com o líder do Yashar, Gadi Eisenkot. Nas últimas semanas, Netanyahu considerou seriamente a possibilidade de retomar o conflito com o Irã. Ao que tudo indica, uma oposição conjunta do presidente Trump e do chefe do Estado Maior de Israel, Tenente General Eyal Zamir, impediu Netanyahu de fazê-lo, embora também seja possível que, considerando a natureza imprevisível do primeiro-ministro, ele simplesmente quisesse que Teerã pensasse que ele poderia atacar, para dissuadi-la de realizar qualquer ato provocativo. Mas a oposição de Zamir se restringiu a um ataque ocorrido antes das eleições israelenses, e a oposição de Trump se restringiu a um ataque ocorrido antes das eleições de meio de mandato nos EUA, em 3 de novembro. O mercado internacional do petróleo continua nervoso, com o barril do Brent cotado US$ 114,35.
Trump fez inúmeras declarações sobre a retomada de ataques ao Irã logo após as eleições de meio de mandato nos EUA e, em seu apoio a Netanyahu, mencionou também o desejo de que Israel se envolvesse novamente. Zamir é a favor
de um ataque ao Irã sob duas condições: a primeira era e continua sendo se o Irã estivesse prestes a atacar Israel; e a segunda era e continua sendo se Trump reiniciasse a guerra primeiro, e Israel tivesse total apoio ofensivo e defensivo dos EUA para se envolver em mais uma rodada de conflito. O instinto de Zamir (direita)tem sido o de estar pronto para atacar o Irã caso este comece a recuperar suas capacidades de ameaça muito rapidamente, o que ainda não aconteceu, ou se tal ataque fizer parte de uma estratégia bem planejada e ponderada para finalmente forçar Teerã a fazer concessões nucleares importantes aos EUA.
Se Netanyahu estiver envolvido em um ataque ao Irã – já que ele detém a maioria judaica na contagem de votos, enquanto Eisenkot e seu grupo estão tentando se unir – um retorno ao foco na guerra com o Irã colocaria a atenção da nação onde Netanyahu prefere. Nada disso significa que um ataque de Israel ao Irã não possa ser justificado por si só. Até que Teerã faça novas concessões nucleares, tal ataque poderia ser justificado em teoria, com base na ideia de forçá-la a fazer essas concessões. A forma como Netanyahu explicar uma terceira rodada de conflito, caso ela ocorra durante as negociações da coalizão, será crucial para o sucesso de qualquer ataque e para sua legitimidade perante a opinião pública israelense em geral.
A PALAVRA DO VICE
O Vice-Presidente dos Estados Unidos, JD Vance disse à Teerã que evitar novos ataques dos EUA exigirá negociações nucleares. A carta enviado ao governo iraniano representa a iniciativa de mais alto nível de Washington para se aproximar de Teerã em meses e surge num momento em que Trump considera retomar os ataques após as eleições de meio de mandato nos EUA. A carta foi endereçada ao chefe de segurança nacional do IRÃ, Mohsen Rezaei. JD Vance enfatizou que as negociações para interromper quaisquer potenciais ataques americanos “exigiriam discussões sobre a questão nuclear.” Segundo Vance, a carta que o presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu do governo iraniano, focava na retomada das negociações de cessar-fogo entre os EUA e o Irã. Fontes familiarizadas com o assunto disseram que a carta resposta de Vance abordava uma possível estrutura de negociação, e não propostas de paz.
Rezaei é o secretário do principal órgão de segurança do Irã, o Conselho Supremo de Segurança Nacional, e foi anteriormente o comandante que serviu por mais tempo no Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. É ele quem tem uma linha direta com o Líder Supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei. Ele emergiu como uma figura influente e beligerante que defendia operações militares contra os Emirados Árabes Unidos, bem como contra centros de dados e outras infraestruturas vitais em toda a região. Rezaei afirmou que o Irã não estava aberto
a negociações com os EUA a menos que as exigências do regime fossem atendidas.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que não foi informado sobre a carta de Vance, e Rezaei não pôde ser contatado para comentar. Na terça-feira (27), Rezaei se reuniu com Khamenei após conversas com representantes da Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, no primeiro contato de alto nível entre o Irã e as três nações. Mediadores do Catar apresentaram ao Irã, no domingo (25), uma nova proposta de acordo para pôr fim à guerra com os EUA e Israel, e espera-se que Teerã envie uma resposta à proposta até o final da semana, disse
na quarta-feira um funcionário a par das negociações. O novo rascunho que o Irã está considerando estabelece um cronograma de sete dias que aborda as preocupações tanto de Teerã quanto de Washington e define medidas diárias de fomento da confiança que cada lado deve tomar, disse o funcionário. O cronograma de conversações poderá começar no início da próxima semana, com vários países atuando como fiadores do acordo.
O CENTCOM nega as alegações iranianas de que navios comerciais colidiram com minas marítimas no Estreito de Ormuz. Os esforços para retomar as negociações de cessar-fogo ocorrem no momento em que o Comando Central dos EUA (CENTCOM) nega relatos da mídia iraniana de que navios comerciais estariam atingindo minas marítimas ao transitar pelo Estreito de Ormuz. Em uma publicação no X, o CENTCOM afirmou que “todas as principais rotas de trânsito internacionalmente reconhecidas pelo Estreito de Ormuz foram limpas de minas marítimas pelas forças americanas e permanecem assim. Milhares de embarcações comerciais utilizaram as vias de trânsito com segurança e continuam a fazê-lo hoje”, concluiu o comunicado.






