Plataforma desenvolvida pelo RCGI utiliza imagens de satélite, inteligência artificial e metodologias científicas para verificar projetos ambientais e ampliar a confiabilidade dos créditos registrados

Uma registradora de créditos de carbono desenvolvida pelo Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), da Universidade de São Paulo (USP), firmou parceria com a empresa brasileira Green Line para reforçar a verificação digital de projetos ambientais. A iniciativa busca ampliar a credibilidade do mercado de carbono por meio de metodologias científicas e tecnologias de monitoramento por satélite e inteligência artificial.
A Green Line é uma empresa multinacional brasileira pioneira no desenvolvimento de tecnologias geoespaciais voltadas à geração e à auditoria de créditos de carbono de alta integridade.

Registradora vinculada a uma universidade pública
Rui Rede, diretor executivo da registradora e gerente de transferência de tecnologia e inovação do RCGI, explica que a plataforma funciona como um banco de dados que reúne informações sobre os créditos de carbono registrados.
“Uma registradora funciona basicamente como uma referência, um cartório, um banco de informações sobre o que é o crédito de carbono em si. Então, a registradora faz um registro após um processo um pouquinho maior. Esse processo começa com a criação de uma metodologia, e aí entra muito da ciência”, afirma.
Um dos diferenciais da registradora da USP, segundo Rede, é o desenvolvimento de metodologias científicas voltadas aos biomas brasileiros, como a Amazônia e a Mata Atlântica. De acordo com o pesquisador, registradoras internacionais costumam priorizar regiões do Hemisfério Norte, o que pode limitar a adequação dos métodos utilizados às características dos biomas do Sul Global.
A credibilidade é fundamental para o mercado de créditos de carbono, pois é necessário comprovar que os projetos ambientais existem e atendem aos critérios estabelecidos. Para isso, a plataforma da USP utiliza metodologias desenvolvidas cientificamente, imagens de satélite e inteligência artificial na verificação das informações fornecidas pelos responsáveis pelos projetos.
A iniciativa também busca combater o greenwashing, prática que envolve a divulgação de benefícios ambientais sem comprovação adequada. Segundo Rede, a participação de pesquisadores de doutorado e pós-doutorado contribui para a confiabilidade do processo, ao integrar conhecimento científico, evidências ambientais e segurança no registro dos créditos.
Como funciona o registro dos créditos?
Após a verificação e o registro, os créditos de carbono ficam armazenados em um banco de dados que, segundo Rede, funciona de maneira semelhante a uma conta bancária. A registradora centraliza as informações e contribui para garantir a confiabilidade dos créditos, que podem ser conectados a sistemas financeiros para viabilizar sua comercialização.
O pesquisador ressalta, porém, que a universidade não atua diretamente nas operações financeiras. Seu papel se concentra na validação dos projetos e no registro dos créditos de carbono.
Metodologia para integração entre lavoura, pecuária e floresta
Rede destaca o lançamento de uma metodologia voltada a projetos de integração entre lavoura, pecuária e floresta, adaptada às características brasileiras. Segundo ele, a iniciativa busca ampliar as possibilidades de registro de projetos e atender à demanda do mercado por soluções ambientais adequadas à realidade do País.
Com a nova metodologia, a registradora pretende ampliar o número de iniciativas que podem submeter seus projetos à avaliação e ao registro de créditos de carbono.
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