Evento vai reunir academia, indústria e governo de 4 a 6 de novembro, e inclui debates sobre combustíveis de baixo carbono, hidrogênio e descarbonização dos transportes, além de encontro com engenheiros ligados à Fórmula 1

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A transição para uma economia de baixo carbono está redesenhando as relações de poder no mundo. A corrida por tecnologias, matérias-primas estratégicas, investimentos e novos mercados de energia coloca países e empresas diante de um desafio: como conciliar a competição por liderança tecnológica com a cooperação internacional necessária para enfrentar as mudanças climáticas? Essa será uma das discussões da Energy Transition Research & Innovation Conference (ETRI 2026), que será realizada de 4 a 6 de novembro, no campus da USP da capital, no bairro do Butantã. As inscrições variam de R$ 70 a R$ 400 e podem ser feitas neste link.
Organizada pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI-USP), a conferência chega à nona edição com o tema Geopolítica da Inovação Energética (Geopolitics of Energy Innovation). A programação abordará também gestão de carbono, bioenergia, combustíveis de baixo carbono, hidrogênio, descarbonização dos transportes e a aplicação industrial de novas tecnologias.
O encontro também dará visibilidade às pesquisas e à capacidade de inovação do RCGI, aproximando seus pesquisadores de empresas, governos e potenciais parceiros. Com cerca de 60 projetos em atividade e 800 pesquisadores, o centro desenvolve estudos em áreas como captura e utilização de carbono, bioenergia, armazenamento de energia e CO₂ e descarbonização. A programação inclui a apresentação de cerca de 200 trabalhos científicos, com a participação de pesquisadores do RCGI e do Offshore Technology Innovation Centre (OTIC).
“A transição energética não depende apenas de desenvolver tecnologias capazes de reduzir emissões. Ela envolve decisões estratégicas sobre quem domina essas tecnologias, onde serão produzidas, como serão financiadas e quem terá acesso a elas. Ao trazer a geopolítica para o centro do debate, queremos discutir também o papel da ciência e da cooperação internacional na construção desse novo cenário”, afirma a professora Karen Mascarenhas, chair da ETRI 2026 e diretora de Recursos Humanos e Comunicação Institucional do RCGI-USP.
Destaques da programação
O deputado federal Arnaldo Jardim, relator da Lei do Combustível do Futuro e do Marco Legal do Hidrogênio, fará a palestra de abertura, no dia 4 de novembro. O parlamentar também é autor do projeto que deu origem ao Programa de Aceleração da Transição Energética (PATEN), voltado ao financiamento de projetos de desenvolvimento sustentável.
No dia 5 de novembro, a palestra será ministrada por Corné Hulst, pesquisador e executivo com experiência na gestão dos portos de Roterdã, nos Países Baixos, e do Pecém, no Ceará. Além da gestão portuária, ele abordará inclusão energética, energia social e inovação social. Hulst desenvolveu indicadores de inclusão energética comparáveis internacionalmente e os integrou a estruturas de monitoramento e de tomada de decisão. Seu trabalho combina experiência internacional em gestão de mudanças com metodologias adaptáveis aos contextos locais.
Outro destaque será o painel International Cooperation in the Geopolitics of Energy Transition (Cooperação Internacional na Geopolítica da Transição Energética), também no dia 5 de novembro. O debate contará com a participação da cônsul-geral da Turquia, Zeynep Kaleli, país que sediará a COP31, conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. Também estarão presentes representantes do governo do Estado de São Paulo e da agência sueca de inovação Vinnova, entre outros. O painel será conduzido por Amâncio Jorge de Oliveira, pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP.
“A cooperação científica pode ser um instrumento importante para que países como o Brasil participem do desenvolvimento das tecnologias que vão definir o futuro da energia, e não apenas de sua utilização. É preciso aproximar pesquisa, indústria e políticas públicas, sem perder de vista os diferentes interesses e as desigualdades de capacidade tecnológica entre os países”, destaca a professora Karen Mascarenhas.
Da pesquisa à aplicação
Outros painéis discutirão como transformar pesquisa e inovação em soluções para a transição energética. A programação contempla gestão de carbono, captura, utilização e armazenamento de CO₂ (CCUS), bioenergia e combustíveis de baixo carbono, além de experiências de empresas e instituições na implementação de novas tecnologias. Outro debate será dedicado às condições necessárias para desenvolver e ampliar ecossistemas de hidrogênio, incluindo infraestrutura, investimentos, regulação e demanda.
Na área de transportes, o encontro examinará alternativas para reduzir emissões na aviação, na navegação e no transporte rodoviário, incluindo combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), eletrificação, biocombustíveis e hidrogênio. Os participantes também discutirão os desafios tecnológicos, industriais e regulatórios para ampliar essas soluções.
O evento traz ainda, no dia 4 de novembro, das 19h às 21h30, a o encontro especial Innovation and Sustainability on the Fast Track: Lessons from Formula 1, promovido pelo RCGI e patrocinado pela Petronas. Engenheiros da empresa que atuam na Fórmula 1 compartilharão experiências sobre desenvolvimento tecnológico em condições extremas e suas conexões com a inovação no setor de energia, além de abordar as competências exigidas dos futuros profissionais de engenharia. A atividade é exclusiva para participantes inscritos na ETRI 2026 e exige inscrição específica, sujeita à disponibilidade de vagas.
Ainda estão programadas visitas técnicas. No 6 de novembro, das 9h às 12h, estão previstas visitas a instalações de pesquisa e inovação, incluindo a planta-piloto de produção de hidrogênio a partir de etanol, a planta de produção de metanol a partir de CO₂, o Tanque de Provas Numérico (TPN), instalações do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) relacionadas à produção de hidrogênio por eletrólise e espaços do ecossistema Inova USP. A programação também prevê visitas às fábricas e linhas de montagem da Hyundai e da Toyota, em datas e horários ainda a definir. Todas as visitas exigem inscrição específica, são exclusivas para participantes inscritos na conferência, estão sujeitas à disponibilidade de vagas e dependem de confirmação da organização.
Energy Transition Research & Innovation Conference (ETRI 2026) – 9ª edição
Datas: de 4 a 6 de novembro
Local: Espaço IRIS (Digital Lab), Inova USP
Endereço: av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 370, Cidade Universitária, Butantã, São Paulo
Inscrições: de R$ 70 a R$ 400; neste link
Atividades especiais e visitas técnicas: inscrição específica para participantes da conferência, sujeita à confirmação da organização
Mais informações e programação aqui
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. Criada no Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) da USP em 2016, a conferência ETRI consolidou-se como um espaço de aproximação entre universidades, empresas, governos e instituições internacionais, contribuindo para conectar a produção científica aos desafios tecnológicos e industriais da transição energética. O crescimento do encontro reflete essa trajetória: de 250 participantes em 2022, passou para cerca de 800 em 2025, edição que reuniu 26 palestrantes brasileiros e estrangeiros e teve 300 resumos científicos aprovados. Para 2026, a expectativa é receber cerca de mil participantes. O RCGI-USP é um Centro de Pesquisa em Engenharia, criado em 2015, com financiamento da FAPESP e de empresas por meio dos recursos previstos em contratos de exploração e produção de petróleo e gás. Atualmente estão em atividade cerca de 60 projetos de pesquisa ativos (em um histórico de 120), ancorados em oito programas: Solução Baseada na Natureza (NBS – Nature Based Solution); Captura e Utilização de Carbono (CCU – Carbon Capture and Utilization); Bioenergia, Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS – Bioenergy with Carbon Capture and Storage); Gases de Efeito Estufa (GHG – Greenhouse Gases); Advocacy (Normalização, Regulamentação e Percepção Social); Núcleo de Inovação em Sistemas de Energia (InnovaPower); Descarbonização; e Centro 2 Centro (projetos em colaboração direta com centros de pesquisa dos Estados Unidos). O RCGI também possui um hub de pesquisa, o Geostorage, dedicado ao armazenamento em larga escala de energia e CO2. O centro, que conta com cerca de 800 pesquisadores, mantém colaborações com diversas instituições, como Oxford, Imperial College, Princeton e o National Renewable Energy Laboratory (NREL). |
*Texto da Assessoria de Imprensa RCGI-USP






